08/05/2020

NEW REFLECTIONS | Sermos inteiros

abstrair, abstrato, acessório

    Passamos a vida à procura da nossa cara metade sem nos apercebermos que, para isso, deitámos fora metade de nós.
    Esta ideia romantizada de que temos alguém que nos completa é diminuidora, corta-nos as asas, faz-nos entender que precisamos sempre de alguém para que sejamos inteiros e que, para além disto, este alguém é necessariamente um parceiro romântico.
    Ninguém passa pela vida sozinho, contamos com a ajuda e o apoio de familiares e amigos em muitos dos processos importantes na nossa jornada mas não sempre os mesmos e no fundo os únicos que vão vivenciar as consequências das decisões somos nós próprios. Se a nossa vida fosse uma viagem de comboio, nós seríamos os únicos passageiros que nunca sairiam do comboio a viagem toda. Alguns entram logo no início e ficam muito tempo, outros entram a meio e ajudam a mudar a rota que o comboio segue, muitos só ficam entre paragens e deixam marcas no passageiro vitalício e outros saem cedo de mais ou entram só no fim da viagem, deixando pena por não terem acompanhado o resto da viagem. Mas o comboio nunca para.
    Assim, nesta viagem, temos de ser inteiros porque somos os únicos que  realmente vão viver todos os solavancos desta viagem intensamente. Sermos metade de nós próprios para completarmos alguém só significa que vivemos em procura de nós próprios em outras pessoas, sem nunca verdadeiramente nos encontrarmos.

Sem comentários:

Enviar um comentário