
Quando era pequena queria ser cantora, depois quis ser dançarina, depois quis ser bióloga marinha porque gostava de golfinhos. À medida que cresci vi que essas profissões, ainda que bonitas e exigentes, são apenas uma parte ínfima daquelas que existem e de tudo o que eu podia ser. Eu podia ser o que quisesse e, com a minha falta de talento, gastar a minha vida em sonhos de criança era uma perda de vida.
O sonhos de criança são ambições criadas numa fase da vida muito limitada em termos de conhecimento do mundo. O mundo das crianças, cheio de limites e impedimentos é também aquele onde nos sentimos mais livres para pensar e ser, na nossa forma mais básica. Mas crescer é inevitável e o que conta verdadeiramente é o que fazemos com a nossa vida toda, não esquecendo nem negligenciando a nossa essência mais infantil, mas evoluindo-a sempre para podermos ser algo mais.
O que se retira da fase de criança não é o que dissemos. É muito mais importante o carácter, a essência, aquilo que vai persistir e nos vai acompanhar para sempre. Quando olhamos para a nossa vida pelos olhos da nossa criança interior, o que está em causa é a nossa dimensão moral, se gostamos daquilo que fazemos, se damos o melhor de nós em tudo o que podemos. Acho que a mini maria não ficaria muito triste por não vir a ser cantora desde que não perdesse nunca a alegria de cantar.
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