19/01/2019

NEW EXPERIENCE | E quando acaba?

selective focus photo of red petaled flowers


Morrem pessoas todos os dias. É a ordem natural das coisas. Sabemos que tudo o que começa tem um fim. Logicamente deveríamos estar preparados para o fim, qualquer que ele seja. Mas não estamos. E atinge-nos como uma bomba.

Mas afinal será assim tão trágica a morte de uma pessoa? Não conduzirá antes à evolução e ao permanente desenvolvimento do mundo? Porque é que ficamos tão felizes quando uma vida vem ao mundo mas tão tristes quando uma alma parte? Porque é que a morte, que é certa, nos afeta tanto?

Nós, seres racionais, deveríamos ultrapassa-la como se fosse apenas mais um obstáculo na corrida. Aqueles que não conseguem saltá-lo ficam para trás. Acaba-se a corrida para eles. Mas esta é uma corrida que nunca acaba. Entra sempre alguém novo em todas as etapas, andamos às voltas, sempre a saltar novos obstáculos. A perspetiva de deixarmos o nosso colega de equipa nesta finidade infinita que é a vida é o que magoa.

Porque nós, seres emocionais, não conseguiríamos correr sozinhos. A motivação e o apoio de que necessitamos para termos mais capacidade de corrida vêm de fora. E quando os nosso maiores fãs, apoiantes, ficam para trás nós sentimo-nos sozinhos.

Hoje morreu um jovem da minha idade, que anda(va) na mesma escola que eu. Não o conhecia. Mas o facto de não ser para mim um perfeito estranho mas alguém com quem partilho, assim como a maioria dos adolescentes hormonais, algo em comum, leva a um conflito. Como é que se lida com alguém que perde a corrida porque há uma pedra na pista? Não foi por mau cuidado, não foi por lesão, não foi por falta de aptidão para continuar. Foi apenas porque na sua pista lhe esperava uma pedra que o deitou a baixo.

Quem somos nós? Somos estudantes, desportistas, amigos, filhos, irmãos, colegas, membros. Somos aquilo que fazemos, as pessoas com quem nos damos, as boas ações que realizamos. Mas de um momento para o outro já não somos.

A vida é efémera, verdade lá para a Alice, mas quão efémera é a efemeridade da vida? Qual é o processo mais eficiente, mais rápido, mais simples para aceitarmos que somos e depois não somos? Que os outros são mas tão facilmente deixam de ser?

Na vida, na ciência, tendemos a encontrar respostas para as perguntas. No entanto, há perguntas que vão continuar, para sempre, por responder devido ao turbilhão de emoções, sentimentos e fases que é a racionalidade.

Cada um lida com a Morte da sua maneira. Contudo, não deve ser um assunto tabu. Em vez disso falemos dela, também é importante Mas falemos mais dos nossos sentimentos, agradeçamos sempre a  quem nos faz bem e perdoemos a quem nos faz menos bem. E mais importante de tudo, digamos sempre sempre às nossas pessoas o quanto elas são para nós. Porque basta um piscar de olhos e deixam de ser.

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