18/11/2020

NEW REFLECTIONS | As primeiras vezes são aterrorizantes




     As primeiras vezes são aterrorizantes. Quer estejamos a falar de algo muito importante ou decisivo quer de um acontecimento banal. De todas as vezes damos um passo em falso, com direção ao infinito, ao desconhecido, sem saber muito bem se vamos cair, se vamos voar ou se sequer o conseguimos fazer. A falta de controlo, a falta de experiência, o nervoso de poder errar e de, efetivamente, errar, porque não fazemos a mínima ideia do que estamos a fazer, são bichos papões que figuram e nos atormentam em todas as novas viagens em que embarcamos. Aparece um nervoso miudinho, percursor de um medo maior que vem depois, que nos convida a deixar um pé atrás, a não nos atirarmos de cabeça. O cérebro deixa de responder da mesma maneira lógica e calma a que estamos habituados e passa a ser um turbilhão de ideias e reviravoltas, um emaranhado de emoções.

    E no entanto são tão boas. Como é que a falta de confiança, a insegurança, a inexperiência são ultrapassados e resta uma espécie de esperança, um consolo, uma vontade de voltar a tentar? Isso é porque no fundo abemos que só há uma primeira vez. Na próxima instância já não estamos tão inseguros, já construímos experiência e conseguimos pensar mais claramente. As borboletas na barriga desaparecem, por vezes, ou resumem-se ao vestigial, ao ineremente bom, ao nervoso que nos mantém apaixonados pelo que estamos a fazer, com vontade de fazer mais, com ambição de chegar mais longe.  

    Mas as primeiras vezes são aquelas que recordamos com carinho, memórias de ingenuidade e de coragem para dar um salto e esperar uma rede. São especiais e fazem-nos sentir especiais.

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