Tudo começa normalmente numa noite mal dormida, ou em vários dias com stress acumulado e tarefas em catadupa ou numa série de erros e falhanços. A alma fica mais sensível, mais exposta, mais frágil e o cérebro tenta metê-la para dentro, amassá-la bem pequena para que se torne invisível, num conflito que pode durar horas.
Mas as emoções ganham sempre. E quanto mais longa a luta, mais energia se liberta num fim, mais choro, mais dormência, mais culpa e mais insegurança. Esta explosão pode acontecer em qualquer lugar; toda de uma vez, deixando um campo de batalha bastante feio para trás, que se pode começar a reconstruir logo, ou ao longo de muito tempo, em episódios pequenos intercalados por uma dormência incapacitante e sentimentos de despersonalização e fraqueza.
Quando se explode, tudo o que é mínimo parece máximo. De repente, tudo o que sei deixo de saber, tudo o que consigo deixo de conseguir e o mundo parece um sítio mais complicado do que belo. Demasiado. Sinto-me culpada por não conseguir ver o quão bonito é este sítio onde vivo e as pessoas com quem contacto, inútil porque sei que devia saber combater a indiferença com que tudo se aparenta no momento e apreciar o tempo que não corre para trás.
E nesses momentos de sobrecarga, curto-circuito, o tempo passa mais devagar como mensagem que o que é mau pode ser ainda pior se durar mais.
Mas no fim tudo passa, algumas folhas ficam por virar depois da reconstrução e a memória da batalha não fica esquecida, mas podemos construir novamente das ruínas que sobraram.

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