Para alguém que tenha bichos carpinteiros, tempos de descanso prolongado são razão de má-disposição e até algum stress. O impacto numa mente turbulenta é significativo.
Pior ainda quando há necessidade de abrandar ou obrigação do fazer por circunstância absolutamente quotidianas e fica um ressentimento, uma sensação de ineficiência. O ritmo da vida anda muito acelerado. É como passar de 200 km/h para 0. O corpo quer continuar em movimento.
Fala-se muito da necessidade de "desacelerar", "aproveitar o momento" ou tomar uma posição mais introspetiva, mas ao mesmo tempo tanta necessidade de criar, de fazer, de ver, sentir e ouvir a todo o momento. É-me já difícil saborear apenas o momento, sentir a minha mente num e num só sítio, sem devaneios, sem distrações.
Tem tocado a quase todos. O mundo entrou num overload de botões, notificações, interações digitais que são falsas "ajudas" à sanidade mental. A cada dia de permissividade, e com a crescente acessibilidade do trabalho e das conexões, é natural que nos deixemos levar por só mais um e-mail, só mais uma mensagem, só mais um minuto a ler ou a ver. Todas a tarefas são simultâneas.
Os trabalhos de hoje em dia pagam horas muito inferiores aquelas que o nosso cérebro dedica a estar alerta para esse trabalho. É quase permanente.
Mas estes pequenos acrescentos tiram espaço mental. Uma zona que devia estar limpa ou ocupada por um nível saudável de descontração, encontra-se permanentemente em alerta de notificações e mensagem. A captar as próprias ondas e sinais que nos ligam ao nosso dispositivo. Não é um fenómeno físico que não nos possamos desligar da rede global que nos une, é mental e social.

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