A indústria cinematográfica vende-nos um conceito de vida muito distante daquela que suportamos todos os dias. E, mesmo experienciando a vida da maneira real, caímos como patinhos na ilusão de que o ritmo dos acontecimentos vai ser idêntico ao das personagens inventadas.
E muitos de nós vive com essa esperança, de que a vida seja atribulada, não necessariamente perfeita, mas trágica. Puramente trágica.
Contudo, temos de acordar e lidar todos os dias com a mediocridade da existência. Cabe-me a mim tornar todos os dias o meu dia melhor. Mas, ao mesmo tempo, e perante mudanças tão lentas e graduais, cada dia sabe só a mais um.
Não "mais uma oportunidade de tornar melhor", mais do mesmo, mais da rotina, mais dos afazeres mais que conhecidos, mais daquilo que outrora foi novidade, mas há muito que já o não é. Á medida que o tempo passa vamos lidando, da melhor ou pior maneira, com isso. Aceitando e prosseguindo.
Até que um dia as nossas adaptações lentas e graduais à tal mediocridade e ciclicidade da existência têm um efeito catastrófico. Um evento grande, uma mudança radical, tal como uma catásfrofe. Imprevisível porque a não quisemos prever e totalmente arrebatadora na forma turbulenta e revolta como nos faz acordar da dormência da rotina e parar.
De vez em quando, em alguns momentos da vida, somos obrigado a fazer decisões grandes face a acontecimentos destes. E paramos e pensamos. Num encontro quase poético e quase trágico com a nossa essência fora do piloto automático.
É nestes momentos, nestes eventos decisivos do nosso carácter, que a vida tem o ritmo que vemos ampliado na vida das personagens da imaginação de alguém. É através destas decisões e do risco que elas incutem que passamos a ser mais interessantes e temos oportunidade de fracturar pensamentos e atitudes.
E ainda bem que estas situações são usualmente afastadas e precedidas e sucedidas por mudanças lentas e graduais que nos adaptam e fazem evoluir e desenvolver novas maneiras de nos adaptarmos. Porque passar uma existência completa no reboliço de decisões e riscos elevados traria um desconsolo e uma insegurança com a qual não aprendemos a lidar e a viver.

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