Tenho uma urgência dentro de mim que me apressa. Para fazer tudo, viver tudo, sentir tudo. Muitas vezes tudo de uma vez. É uma urgência que me deixa incompleta quando não a atendo e que me sobrecarrega sempre que me tento completar.
Esta urgência é uma necessidade que nunca será preenchida. Ou me deixa exausta num mundo caótico onde o peso do mundo cai sobre as minhas costas, ou me deixa perturbada por não estar a ser mais, a fazer mais, a exigir mais do que posso fazer.
Talvez advenha do medo de não ser suficiente. Suficientemente algo. Suficientemente capaz, suficientemente exigente, suficientemente determinada. Suficientemente seguido dos adjetivos que povoam a lista de características procuradas pelos outro. Portanto, parte desta urgência é só uma forma de atender aos requisitos externos, àquilo que me é dito que se procura em mim.
Não sei como a curar, nem sei bem se o devia fazer (talvez já se tenha tornado parte de mim), mas sonho ganhar perícia para a equilibrar no topo da minha cabeça enquanto ando pela trave da vida. E espero um dia fazê-lo sem receio.
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