Com o brilho do sol a banhar-me a face, a pele fresca tocada por gotas de água e um impulso, um salto, tornei-me weightless. O estrangeirismo foleiro que descreve de forma inigualável aquele sentimento. Depois do pequeno salto, senti a gravidade a puxar-me para a Terra, atravessar a barreira da água e tornar-se numa força cada vez menos intensa até deixar de existir. Aquela que é a noção física mais básica da nossa vida no planeta simplesmente esvaiu-se quando ainha alma encontrou este novo elemento.
Por momentos existi apenas ali, em repouso, sujeita a uma força nula que me deixou suspensa. A gravidade zero num sítio tão banal como o mar, ainda assim tão espetacular. Aquele intervalo de tempo que definiu o momento pareceu, paradoxalmente, parar o tempo, enviar-me para um descontínuo que apenas aconteceu na minha mente.
Se tudo no universo tem uma massa e por isso está sujeito a atração, como é que tão fisicamente fui capaz de desafiar os dogmas e leis da física e ser e mão ser nada num momento descontínuo do tempo. E tudo isto sem ninguém dar por isso. É um segredo que guardo para mim para o pôr em prática de forma repetida mas sempre tão mágica como daquela primeira vez em que o descobri.

Sem comentários:
Enviar um comentário