16/02/2021

NEW REFLECTIONS | Efemérides




    Dias dedicados a celebrações são dias estranhos para mim. Desde pequena que sempre gostei de celebrar festividades. Não dormia no dia antes da Páscoa, contava os dias para os meus anos. Mas no fim, chegava o dia e era só mais um. Talvez seja natural do crescimento ou seja apenas um desvio pessoal mas agora o meu instinto é não dar tanta importância a estes dias marcados de forma diferente no calendário.
Apanhei-me a pensar, há alguns anos, porque celebrávamos sequer estes dias. Pela memória de um acontecimento? Por devoção a uma divindade? Por simples anseio por um dia diferente, um marco que sirva de desculpa para adotar um estado de espírito mais positivo? 

    Mas colocar estas questões leva a um beco sem saída. Por esta lógica nenhum dia na vida teria um significado mais especial que o anterior, resignando o ser humano a uma existência monótona. 

    Talvez seja  tanta reflexão que me deixa num estado tão estranho quando se aproximam estes eventos. Um desejo racional de não dar importância a coisas que logicamente não fazem sentido, mas um desejo emocional de me deixar levar pela importância incutida na sociedade a estas celebrações, que no fundo celebram conceitos que deviam ser a norma e não a exceção. 
    A união, o amor, a esperança não são (ou não deviam ser) termos que tomam parte na nossa vida num dia especial em que de repente toda a gente se lembra que são importantes. E é isto que me faz mais comichão.

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